escritor escroto
03 VI 2012

  não sei, acho que chove…

acabei me enganando
quando disse que iria chover.
a falta de estrelas no céu
não impediu o sol de aparecer.

que mancada minha
acabei falando besteira
mas esse não é o meu medo
temo que eu tenha feito isso a noite inteira

poizé… fico um pouco (muito) desajeitado
até um tanto retardado
percebo que tornei-me um escritor apaixonado
que, p’ra ti, ainda não encontra rima

                                                                                                                  (@olucasmatos)

29 V 2012

  eu também me preocupava com ele…

eu temia que a morte
nos separasse para sempre
mesmo que você não acreditasse
naquele velho amor eterno

seja enterno enquanto o eterno permitir
eu dizia, bem baixinho, enquanto tu adormecias
em ti acredito, é com esse tal eterno que me preocupo
dizias de olhos fechados, enquanto o café aquecia

temia que a morte
fosse a única verdade da vida
mas contigo, descobri
que a minha verdade a ti pertencia

                                                                         (@olucasmatos)

27 V 2012

  aquela do livro em cima do bidê…

enquanto eu dormia e perdia o sono
escrevia versos e mais versos
naquele livrinho que tu me destes de aniversário
escrevia apenas… para passar a insônia

todos os dias (principalmente as noites)
eu passava fazendo aquilo
não sabia o porquê e nem queria saber
não me importava em passar horas e horas a te escrever

escrevia teu nome, desenhava teus olhos
imaginava naquele versinho teu sorriso
lembrava da dança, que balança até hoje
os meus sonhos medonhos de segunda-feira

                                                                         (@olucasmatos)

23 V 2012

  faz de conta

não tive tempo p’ra parar
p’ra ver se era a hora certa
a hora certa de voltar…

não tive tempo p’ra dizer
o quanto sinto a tua falta
mas falta tempo pra dizer…

não tive tempo pra contar
fazer todas as contas
do quanto a gente faz de conta
que não se dá por conta
de que o tempo conspira contra nós…

não tive tempo de mexer
nos ponteiros do relógio
p’ra ver se ele colabora um pouco
só um pouquinho p’ra que possamos
tomar aquele cafezinho algum dia… (que sabe?)

                                                                         (@olucasmatos)

16 V 2012

  ciúmes de elefante…

sinto um ciúme enorme
do tamanho de um elefante.
não sei se eles sentem ciúme
mas se sentirem, com certeza
será bem, bem grande!

sinto ciúme dos teus versos
se é que eles ainda são meus
sinto ciúme quase do tamanho do planeta
(mas não era de um elefante?)
se é que dele nosso amor não se perdeu

sinto ciúmes
do tamanho de um elefante
não sei se isso ele sente
mas se sente… é bem grande!

                                                                         (@olucasmatos)

16 V 2011 (primeiro post)

  há exatamente um ano…

  Lá estava eu, tentando compor mais uma canção. Achava a letra, mas a melodia tinha se escondido em algum lugar. Com a falta dela, resolvi dizer que aquelas letrinhas pretas naquelas folhas brancas eram apenas… aquilo. Sem melodia, refrão ou instrumentos. Eram palavras, acompanhadas de silêncio e nada mais.Com a falta do que fazer, inventei uma válvula de escape: um blog chamado BEBENDO COCA-COLA, EU REFLITO.

  Em uma brincadeira, no final de semana, mandei um link para um amigo meu, via messenger, e ele me questionara o que seria aquilo. Na definição, disse que era o lugar onde eu mostrava quem eu era, dava vida ao escritor escroto dentro de mim. Um tanto curiosa minha piada. Escroto seria o escritor imbecíl, bobo dentro de mim. Mas, meio que substituindo o silêncio das poesias e escutando minha voz ao repetir várias e várias vezes escritor escroto, então ficou assim.

  Depois de um ano, ainda continuo aflorando e buscando me conhecer melhor, postando o que penso, sinto e vejo e também, além de conhecer, entender o que penso, sinto e vejo. Mas, mesmo depois de um ano, não consigo definiro que penso, sint… eu. Esse é o escritorescroto.tumblr.com! E que venham mais anos para ver se, um dia, eu consiga entender o que penso, sint… a vida.

                                                                         (@olucasmatos)

15 V 2012

  eterno…

pelo o que parece
não se fabricam mais amores
como os de antigamente.
aqueles feitos p’ra durar
eternamente, se o eterno deixasse.
não eram feitos do dia p’ra noite
era manufaturado e embrulhado
com carinho, p’ra que não amargurasse.

era guardado no bolso da camisa
bem pertinho do peito.
hoje, simplesmente é jogado,
atirado e tratado como lixo… pobre sujeito.
para quem hoje vive
(por viver) uma simples paixão,
não sabe como era caro
o preço pago por uma traição.

pelo o que parece
não se fabricam mais amores
como os de antigamente.
não eram feitos, simplesmente,
para embelazar uma nota da canção.
era manfaturado e embrulhado,
guardado com apenas uma condição

seja eterno enquanto o eterno deixar…

                                                                         (@olucasmatos)

15 V 2012

  um título que, pra nós, é besteira…

me parece que o silêncio
encontrou espaço na saudade
e que, até a mentira,
está entranhada na vontade

não há mais nada o que fazer
a não ser…
lamentar pelo tempo perdido

não há mais nada a dizer
a não ser…
ficar calado e esperar pelo tempo prometido

me parece que o tempo
sente inveja de nós
mas o que não entendo
é o porquê ele ainda tenta desatar os nós
(entre nós…)

não há nada o que fazer
a não ser…
correr e descer a ladeira

não há nada o que dizer
a não ser… nosso amor não foi besteira

                                                                         (@olucasmatos)

07 V 2012

  gripe…

eu fico até com gripe
só de pensar em te perder.
nariz entupido,
dores no corpo,
o pulso diminuindo aos poucos.

mas isso seria sinal da morte?
creio que sim.
mas seria o melhor remédio para mim
já que, só de pensar
em te perder, além da gripe,
me dá vontade de morrer.

cortar os pulsos, enforcar-me,
fazer qualquer coisa para diminuir a dor
de não te ter em meus braços,
meus ouvidos, minha boa
na minha vida.
se vale qualquer coisa pelo amor
sejamos um pouco mais sensatos

te peço, então, para que não me obrigue
a fazer tamanha besteira (besteira?)
te peço, por favor, com todo o meu amor:
diminua a dor… fique.

                                                                         (@olucasmatos)

30 IV 2012

  puta merda, o tal clichê…

e que venha o dia dos namorados
com seus cartões de eu te amo;
que venham as promessas de fim de ano;
que venha a honestidade, promessas
e tudo de bom nas campanhas políticas;
que venha a falcatrua, a mentira
e a indignação alheia durante o mandato.

que venham todos os poemas utópicos,
definições de como não definir o amor;
as canções das manhãs de sábado
lembrando que seu amado está longe de quem ama;
pode mandar as séries de comédia com as mesmas piadas,
mas que a platéia insiste em rir com todo o entusiasmo.

que venham os livros de auto ajuda
dando dicas de como você pode ser você mesmo;
que venham as reclamações da homogenidade cultural
daqueles que leram os mesmos livros;
que venha, então, todos os clichês do mundo
mas não venha dizer que o que sinto é clichê
(se ‘clichê’ fosse a verdade… puta merda!
                     então ando mentindo desde que te conheci)

                                                                         (@olucasmatos)